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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O pássaro azul.


Sinto cheiro de baunilha no ar. De onde será que vem?

Estava aqui, deitada sobre uma confortável e farta cama branca, com uma colcha branca, e ao lado, havia um criado, com um vaso grande, muito grande, sem economia de flores coloridas. A janela aberta, deixava o sol entrar, e junto dele aquele calor que me fez alegrar. O cheiro do amaciante na cortina rosa clara, deixou o ambiente mais leve, e o quarto, coberto de luz estava, luz que a natureza mandava.

Admirando tudo em minha volta, um pássaro azul pousou sobre a janela ensolarada, e ali cantou até cansar. Nada o assustava. Eu só observava.

Fui até a cozinha verde (gosto de citar as cores, pois a cor significa a forma do ambiente), peguei minha chaleira, e nela preparei um bom chá. Chá de erva cidreira; gosto do perfume que a erva deixa no ar. Com minha xícara branca, voltei ao quarto, e lá estava o pássaro azul cantando.

Meu coração acelerou, dei um suspiro, e senti algo muito bom, algo que não sentia há tempos. Que felicidade.

No fundo, eu sabia que aquele pássaro azul poderia nunca mais voltar, mas a sua elegância e formosura, jamais sairiam da minha memória. E foi ali que descobri o cheiro de baunilha que ocupava o quarto. Era a natureza sim, eu pensava o certo. Era ela que me trazia tudo que era natural. Ela conspirava a meu favor. Quanta honra.

Em breve, outros pássaros, cheiros ou simplesmente nada, aparecerão. Mas enquanto isso, aproveito esse momento, aproveito o pássaro azul com minha xícara de chá na mão.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O amor que faz cantar ...


Esse amor que faz eu cantarolar, a música, não qualquer música, uma especial, que me fez derramar lágrimas.

Por que eu te amei tanto? Por que me fizestes sofrer?

Quero que siga sua vida, quero que cante no ouvido de outra pessoa. Deixe me as lembranças, saberei conviver com ela.


O crepúsculo chega, e junto dele vem o vento, um vento forte que me traz a dor do amor perdido. Aí esse amor que me faz gritar, eu não paro de chorar.

A rosa vermelha murchou. Ela renascerá? Não! Mas podem me trazer um tule branco, pois será com ele que encontrarei minha nova alegria. Eu tenho fé.


A dor que me faz viver. É estranho, não sei explicar. Mas sinto. Dou risada sozinha pelos cantos da casa, porque me lembro dos bons momentos, momentos que já foram.

Eu sempre quis a verdade, somente a verdade. Ela não apareceu; agora tento seguir em paz. Será que devo? Devo sim. Nasci para ser feliz, e não para me embaraçar nesses espinhos que já me feriram demais.


Essa janela permanece fechada. A gotícula que bate nos vidros, escrevem seu nome pra que eu possa me lembrar de você. Mas eu não quero! O que fazer? Simples. Vou me deitar, na minha cama acho que não há lembranças. Engano meu. Acabo de adormecer e sonhar contigo. Vou me levantar, sentar na beira da porta, olhar a rua, os carros, deixar que a chuva me molhe. Um dia eu vou conseguir, um dia vou te esquecer definitivamente. E o que restará serão apenas lembranças, lembranças que me manterão viva e deslumbrante.


Agora? Estou bem, porque esse amor não doerá mais.


(Dedicado especialmente à querida prima Simone.)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Desprezo...


Quanta mágoa, quanto rancor. quanta solidão. Sei que estou errada, por isso peço perdão. Mas será que é tão doloroso assim, ceder ao sorriso? Será que é difícil perdoar?
Realmente, o desprezo é o pior "remédio". E de uns tempos para cá, tomo bastante dessa gota. Não fazes ideia do quão doloroso é para mim, de quão pesada fica minha consciência.
O desprezo é um tipo de vingança (se é que vingança tem tipo). É querer que o outro sinta se mal, pois você ficou assim primeiro.
Ó, por favor, não me devolva objetos. Não os quero de volta. Seja amável, deixe alguém te amar, entenda meus problemas. Sim, tenho problemas. E quem não tem?
Mas não é necessário, nem seria de bom tom eu citá los aqui. Deixo eles apenas comigo, e faço o certo.
É tão bom deitar, ouvir a chuva caindo lá fora, estar sobre lençóis limpos e ambiente perfumado; estar consigo mesma. Mas aproveitaria melhor se você não tivesse me desprezado.
Deus, o que faço de tão errado?
Sou pecadora, sei que sou, mas mereço isso? Sim, devo merecer. Nada é em vão; ela só me cobrou atenção.
Que tola eu, preferi teclar à falar. Mas eu tinha motivo. Lágrimas haviam escorrido sobre meu rosto, estava aflita, tentando resolver um caso mal resolvido. Ninguém percebe, ninguém vê, ninguém sente.
Está bem, não é obrigação me entender mesmo. Deixa que eu mesma me entenda, eu me conheço, me consolo, acho que sei o que faço. Na maioria das vezes não sei, mas finjo que sei. Esse é meu grito de glória.
Os fios dos meus cabelos louros, voam, voam com o vento sobre eles, a caneta desliza no papel, a luz está acesa, o chuvisco está pronto a parar, o cheiro de lavanda que vem do banheiro limpo e arrumado, o cheiro de lavanda que hidrata meu corpo.
A tristeza também está aqui, pairando sobre mim, me atormentando.
A esperança fica, fazendo acreditar que amanhã estará tudo bem, que amanhã não terá desprezo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A casa amarela.


Parada, sentada no banco da praça, vejo lustres, lamparinas antigas, que me recordam boas páginas de revistas de anos 60, a grama sendo seca pelo sol, a casa amarela, a triste casa amarela.

O pai, na sacada, olhando pra rua, pra rotina que cansa, pro trânsito que não para. E a filha ao seu lado, com seu olhar sublime.

Quanta fumaça, quanto grito.

Os amigos trocam palavras, reparam.

Por que se lamentar de pequenas coisas enquanto grandes coisas com pequenas pessoas, acontecem minuto a minuto? Pra que acelerar a alma a pecar, sendo que o pecado só alimenta no seu momento de fúria e desespero?

Não comente, não subestime. A vida é feita pra se admirar.

Mas a casa amarela, será inesquecível. O olhar, será imprevisível.

Ventos de tristeza, melancolia e solidão, desapareçam daquelas quatro paredes, e encha a casa de cor. Mas o amor, fique tranquilo. Há amor ali, mesmo estando no escuro, tem uma luz que brilha bem forte, uma luz de proteção, uma luz de consolo. É a luz que fez acostumar a viver assim.

Eu lamento.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Alma.


Quantas luzes acesas. Para que tudo isso se a alma é escura, sem amor, cheia de tristeza? Para acender uma luz é preciso estar com a alma limpa e não obscura.

A família se reuni em volta da mesa, faz uma oração, e deixa o coração se abrir, deixa entrar o perdão!

ACENDAM AS LUZES, POR FAVOR!!!

Agora sua alma está limpa, está precisa para amar.

O final da festa, ah o final da festa, que chato. O que esperamos o ano inteiro, acabou neste instante. Mas todos dormem com a consciência limpa.

Viajar? Mas e o trânsito? Se pensarmos todas as vezes em trânsito, ficaremos em casa para o resto da vida.

Vale a pena ver o mar, dar uma trégua pra tudo só para aproveitar e desfrutar da vida.

Brisa, porque não bates em minha janela mais? Onde você se escondeu? Eu preciso de ti, não me abandones.

Sei que errei demais, que pensei coisas erradas, mas me arrependo agora, isso não importa?

Importa! Ela acaba de bater na minha nuca. Ela voltou.

E esse mar, está sujo por qual motivo? As pessoas guardam rancor no coração, não falam coisas necessárias e com isso, contaminam a natureza com seus maus fluídos.

Chega, agora basta. Vá embora aquela que me persegue. Deixe eu viver em paz, deixe todos viverem em paz. Porque hoje eu quero sentar na areia, olhar um mar limpo, ouvir gaivotas, deixar a brisa bater em mim, porque eu preciso voltar à casa, o sonho um dia acaba.

Quero gritar, sorrir e caminhar naquela areia molhada, que deixa o mar levar tudo que não lhe pertence mais.

Não fale comigo, estou de férias, não percebes?

É tão óbvio. Minha casa me espera, já disse que vou acordar, o acalanto me dá boa tarde, despede se de mim. O sol se esconde, o crepúsculo aparece. E eu? Eu volto pra casa, com meu chinelo nas mãos, cantando qualquer coisa que me vier na mente, e deixando a água salgada escorrer do meu corpo. Ela já limpou minh'alma.

Preciso deitar agora, ver minhas fotos, e recordar de um momento que um dia passará e não voltará mais.

O meu eu dormirá agora e acordará mais sábio. Pois aquele que limpa sua alma é sábio.

Agora sou apenas limpa, mais nada.