
Sinto cheiro de baunilha no ar. De onde será que vem?
Estava aqui, deitada sobre uma confortável e farta cama branca, com uma colcha branca, e ao lado, havia um criado, com um vaso grande, muito grande, sem economia de flores coloridas. A janela aberta, deixava o sol entrar, e junto dele aquele calor que me fez alegrar. O cheiro do amaciante na cortina rosa clara, deixou o ambiente mais leve, e o quarto, coberto de luz estava, luz que a natureza mandava.
Admirando tudo em minha volta, um pássaro azul pousou sobre a janela ensolarada, e ali cantou até cansar. Nada o assustava. Eu só observava.
Fui até a cozinha verde (gosto de citar as cores, pois a cor significa a forma do ambiente), peguei minha chaleira, e nela preparei um bom chá. Chá de erva cidreira; gosto do perfume que a erva deixa no ar. Com minha xícara branca, voltei ao quarto, e lá estava o pássaro azul cantando.
Meu coração acelerou, dei um suspiro, e senti algo muito bom, algo que não sentia há tempos. Que felicidade.
No fundo, eu sabia que aquele pássaro azul poderia nunca mais voltar, mas a sua elegância e formosura, jamais sairiam da minha memória. E foi ali que descobri o cheiro de baunilha que ocupava o quarto. Era a natureza sim, eu pensava o certo. Era ela que me trazia tudo que era natural. Ela conspirava a meu favor. Quanta honra.
Em breve, outros pássaros, cheiros ou simplesmente nada, aparecerão. Mas enquanto isso, aproveito esse momento, aproveito o pássaro azul com minha xícara de chá na mão.



