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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Desprezo...


Quanta mágoa, quanto rancor. quanta solidão. Sei que estou errada, por isso peço perdão. Mas será que é tão doloroso assim, ceder ao sorriso? Será que é difícil perdoar?
Realmente, o desprezo é o pior "remédio". E de uns tempos para cá, tomo bastante dessa gota. Não fazes ideia do quão doloroso é para mim, de quão pesada fica minha consciência.
O desprezo é um tipo de vingança (se é que vingança tem tipo). É querer que o outro sinta se mal, pois você ficou assim primeiro.
Ó, por favor, não me devolva objetos. Não os quero de volta. Seja amável, deixe alguém te amar, entenda meus problemas. Sim, tenho problemas. E quem não tem?
Mas não é necessário, nem seria de bom tom eu citá los aqui. Deixo eles apenas comigo, e faço o certo.
É tão bom deitar, ouvir a chuva caindo lá fora, estar sobre lençóis limpos e ambiente perfumado; estar consigo mesma. Mas aproveitaria melhor se você não tivesse me desprezado.
Deus, o que faço de tão errado?
Sou pecadora, sei que sou, mas mereço isso? Sim, devo merecer. Nada é em vão; ela só me cobrou atenção.
Que tola eu, preferi teclar à falar. Mas eu tinha motivo. Lágrimas haviam escorrido sobre meu rosto, estava aflita, tentando resolver um caso mal resolvido. Ninguém percebe, ninguém vê, ninguém sente.
Está bem, não é obrigação me entender mesmo. Deixa que eu mesma me entenda, eu me conheço, me consolo, acho que sei o que faço. Na maioria das vezes não sei, mas finjo que sei. Esse é meu grito de glória.
Os fios dos meus cabelos louros, voam, voam com o vento sobre eles, a caneta desliza no papel, a luz está acesa, o chuvisco está pronto a parar, o cheiro de lavanda que vem do banheiro limpo e arrumado, o cheiro de lavanda que hidrata meu corpo.
A tristeza também está aqui, pairando sobre mim, me atormentando.
A esperança fica, fazendo acreditar que amanhã estará tudo bem, que amanhã não terá desprezo.

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